domingo, 4 de agosto de 2013

Discurso na formatura de 03/08/2013 - Parabéns aos formandos da turma de Fisioterapia da Univates

Senhoras e senhores! O dia 03 de agosto de 2013 ficará na memória de todos aqueles envolvidos neste evento carregado de simbolismos que é a formatura. Amigos, amigas, pais, mães, familiares, companheiros e companheiras destes agora profissionais da Biomedicina, da Educação Física (Bacharelado), da Enfermagem, da Estética e Cosmética, da Farmácia, da Nutrição e da Fisioterapia, todos vocês estão de parabéns, pois, cada um à sua maneira, participou de uma série de momentos que, somados, culminam neste momento sublime. Tenho a honra de ter participado um pouco da jornada de muitos de vocês. Com os agora colegas fisioterapeutas convivi mais tempo e me honra muito estar na condição de paraninfo de vocês. Creio que o ápice da condição de professor é ver seus parceiros de jornada vestindo a toga, bonitos, iluminados, olhos brilhando pela felicidade de saber que o dever foi cumprido, a duras penas, mas com honra, humildade, sabedoria e luta. HONRA, HUMILDADE, SABEDORIA E LUTA. Ser profissional da saúde e, especificamente, FISIOTERAPEUTA, requer estarmos cientes de saber que é uma honra sabermos que o nosso trabalho melhora a vida das pessoas, faz elas mais felizes, mais independentes, mais funcionais. Na nossa prática profissional a HUMILDADE é fundamental, pois é ela que nos dá condições de trabalharmos com afinco, sem esmorecer jamais, em benefício daqueles que estão, literalmente, em nossas mãos, depositando suas esperanças em nosso trabalho. Mas, para isso, precisamos do CONHECIMENTO. E é no conhecimento que alicerçamos nossa existência, nosso profissionalismo, nossa capacidade de fazermos o bem, custo o que custar, sem jamais deixar-se cair no pecado de nos imaginarmos prontos. É no conhecimento que construímos a sabedoria, a experiência, as vivências em nossa vida e que fazem a diferença no agir, no estar na condição de FISIOTERAPEUTAS e PROFISSIONAIS DA SAÚDE e DA EDUCAÇÃO. Incluo aqui a EDUCAÇÃO por que todos nós somos educadores permanentes, de nós mesmos e daqueles com os quais trabalhamos e, nesta interação nos completamos, crescemos e nos tornamos seres humanos melhores, se estivermos sensíveis àquilo que acontece ao nosso redor. E, por fim, destaco a LUTA que é sermos profissionais da saúde nos dias de hoje. Há algumas semanas, nosso querido BRASIL viveu momentos extraordinários, onde milhões saíram às ruas clamando por uma série de causas difusas, gritando palavras de ordem da mesma ampla ordem. Mas, independente da procedência ou não de muitas destas reivindicações, o que vimos foi a vontade de LUTAR por aquilo em que se acredita. A LUTA, A BOA LUTA, sempre vale a pena. Lutar pela ética, pelo profissionalismo, pelo desenvolvimento da nossa profissão, tanto no campo da técnica quanto da política e do reconhecimento é o dever de todos nós. É dever por que o FISIOTERAPEUTA, tanto quanto qualquer profissional da saúde, não existe isoladamente no mundo. Nós somos no grupo, na comunidade, na coletividade de nossos pares e na prática de nosso trabalho junto àqueles que precisam de nosso trabalho, que é toda população brasileira, saudável ou adoentada. Se me é permitido pedir algo hoje, neste momento tão sublime, de tanta alegria, é que jamais desistam de LUTAR por tudo aquilo que acreditam. LUTEM PELA FISIOTERAPIA, LUTEM PELA SAÚDE DE QUALIDADE, lutem pela justiça social, pela diminuição das desigualdades. E, fundamentalmente, lutem com todas as forças pelo direito de serem FELIZES. Com HUMILDADE, com ÉTICA, com PACIÊNCIA, com SABEDORIA, com HONRA, façam valer a pena todos os anos em que estiveram nos ambientes da UNIVATES. Hoje vocês seguem caminho. LUTEM, VÃO PRA RUA, reivindiquem o DIREITO DE TER SONHOS, de JOGAR O JOGO LIMPO. LUTEM PELA FISIOTERAPIA, pela profissão que vocês abraçaram, com todas as suas forças. Honra-me muito estar aqui hoje, com vocês. Permita Deus que eu possa estar com vocês em muitos momentos de suas vidas ainda, daqui por diante. Permita Deus que vocês sejam felizes na Fisioterapia (e nas profissões que vocês todos abraçaram). Sigam, FIRMES E FORTES, SEMPRE!!!!  

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasil!

Qual Brasil queremos? Você que foi jovem na década de 1960, 1970 e 1980. Lembra do que era o medo da repressão? Leu nos livros de história o que acontecia? Fardas verdes fazendo e desfazendo? Desaparecendo com os jovens rebeldes que teimavam em não perder a esperança? Lutando contra a corrupção que campeava, na surdina, digladiando o povo brasileiro? Quantos tubarões usurparam as vidas de nossos pais? Quantos sofreram para que tivéssemos democracia? Pois temos a democracia. E aprendemos com ela nos últimos 27 anos. Acertamos e erramos. Erramos e acertamos. A inflação se foi. Na minha adolescência chegava a 100% ao mês. Domamos o dragão. Me lembro da luta de muitos. Pois, na década de 1970, usavam do futebol para entorpecer a capacidade do povo brasileiro. Continua. Uma Copa do Mundo tem disso; aparecemos ao mundo, mas esquecemos de nós mesmos; vendemos uma imagem do que não temos: luxo descabido. Bilhões gastos tristemente. Por tudo isso vale a pena lutar e aplaudo o movimento. Participo dele. Agora, que se reconstrua o Brasil na democracia. Que se faça na cultura da PAZ, na democracia participativa, na voz ativa das pessoas, no controle social de verdade, pelo importar-se com a coisa pública, com o bom uso daquilo que é de todos. Vamos em frente, força, força, força na garganta e na cabeça! É no grito que o Congresso se verga. É no grito que a FIFA escuta. É no grito que os Renans, Sarneys, Malufs, Zés... e tantos outros desequilibram. Que a crítica seja justa. E que as falsas vozes da razão oportunista não convençam para falsas verdades.

(há setores que a alguns dias chamavam os manifestantes de desordeiros e hoje elogiam... estranho).

sábado, 15 de junho de 2013

Pelo direito de reclamar

Pelo direito de reclamar

Semana estranha essa, de protestos pelo Brasil, em torno no aumento da passagem de ônibus. Simbólico. Um direito dos jovens de resistir à força do capital que impõe às pessoas (todas) preços majorados no transporte público. E justo em tempos em que se quer diminuir a circulação de veículos nas ruas. Teoricamente, quanto mais ônibus de qualidade circulando, menos carros teremos. 

Por outro lado, preços de passagens justos é um direito das empresas. Ter lucro não é crime. Reinvestir na frota, melhorá-la, é uma necessidade. Então não se pode esperar que as empresas e mesmo o governo possam investir sem que haja uma fonte de recursos, no caso a passagem e seu preço.

Temos duas posições e em torno delas está o debate. A questão então é identificar onde está a verdade (e, por conseguinte, a mentira). Me permito pensar que a verdade e a mentira não estão em parte alguma, todos têm a sua razão neste imbróglio. Quem paga sempre achará caro, e quem cobra, que o custo é baixo, salvo exceções.

O que assusta em tudo o que se vê é o bando de oportunistas que misturam "alhos com bugalhos" e destilam seu veneno, tanto ao vivo, nas televisões, jornais e internet. Neste facebook, então, é uma festa. Um festival de comentários de duas linhas que não viram nada além do que o Bonner disse. E, convenhamos, é sempre um risco acreditar em notícias sem checá-las, ainda mais quando vêm da forma que vem. 

O cinismo é um conceito interessante. Vivemos tempos CÍNICOS. Reflexões rasas, superficiais, descontextualizadas, misturam casos e situações e o que se vê é o preconceito, o fascismo, a politicagem barata, o ranço, tudo junto reunido. 

Não sou dono da razão, muito pelo contrário. Mas há de se pensar um pouco mais antes de externar palavras ocas e que instigam uma cultura de guerra. Um pouco mais de responsabilidade antes de lançar opiniões que provocam mortes. Cruz credo.

Se sou a favor dos protestos? Sim, protestos ordeiros sempre são bem-vindos e provocam ação. Já protestei contra aumento de passagem nos tempos da faculdade. Um protesto ordeiro, de estudantes. O que aconteceu? Um maluco começou a confusão e tomamos porrada e gás lacrimogênio de uns PM´s assustados frente ao ajuntamento de gente. Protestos que viram em baderna são perigosos e causam feridos e mortos. Colunista de jornal, âncora de telejornal, profissionais formadores de opinião insuflando dois lados ao combate dá m*.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Tempo

Tempo
Então vamos ver se é possível acreditar
E pensar que o que se foi, se foi
E o que virá, virá
E que entre os meios de tudo isso se faz a luz
Que ilumina o que precisa ser iluminado
E, então, um lampejo e a esperança
 De ver que existe o caminho, a trilha
E um pouco mais de fé na alma
Estrelas que iluminam devaneios
De gatos pardos da madrugada
E, e, e, e agora? Vamos embora?
Sobra pouco, não sobra nada, sobras
De tempos outros
Outros tempos
O tempo
Tempo

... 

domingo, 26 de maio de 2013

Bicicletas, ciclovias e o vereador Sergio Rambo

Eu sou absolutamente favorável às bicicletas. São ecológicas, saudáveis, estimulam a convivência. Tenho amigos inestimáveis que se aventuram por 400, 600 km. Temos bicicletas aqui na família e, embora não seja um praticante assíduo, de vez em quando encaramos a "magrela". O caso aqui é o debate em Lajeado em torno da fala do vereador Rambo, na última terça-feira, e que está gerando uma grande repercussão. Eu não estive na sessão da Câmara. Por isso, fui a site da rádio Independente (abaixo o link) para ouvir o que exatamente foi dito. Eu creio e digo sempre que é muito perigoso emitirmos opiniões sobre tudo e todos sem estarmos por dentro do que se trata. Fala-se com o coração apenas, sem a reflexão necessária, e isto muitas vezes leva a opiniões rasas. 
O título da matéria retrata exatamente o que o vereador aponta: pensar sobre a fixação de horários específicos para uso da ciclovia e, ao mesmo tempo, liberando o estacionamento de veículos em outros horários. O tema é polêmico por si só e o vereador foi muito corajoso por abordá-lo. Merece palmas pela coragem, afinal a câmara de vereadores é, também, lugar em que se debate a cidade e suas encrencas. E o conflito excesso de veículos, falta de lugar para estacionar, subcultura do uso da bicicleta, transporte urbano insuficiente é hoje um tema recorrente em qualquer cidade de médio ou grande porte. Apontam-se soluções, sempre paliativas, que resolvem por um tempo, apenas.
Limitar horários em ciclovias é uma solução estranha, ainda mais que a prefeitura (leia-se nós, contribuintes) gastou R$ 980 mil reais, segundo informações colhidas. É uma fortuna! Mas os argumentos do vereador são contundentes: na maior parte dos cerca de 20 km da ciclovia, são raras as bicicletas. E isto nos coloca em outro brete: como fazer com que a bicicleta seja um meio de transporte mais cotidiano? Eis o ponto: mudar a cultura do automóvel, tão "fácil" de ser adquirido, tão estimulado pelo mercado que vende.
Eu quero dizer que não me agrada a ideia do vereador Rambo, prefiro que se estimule a bicicleta e que ela seja respeitada no trânsito do dia a dia (o que não é, vide o número de ciclistas que são atropelados). Mas, saúdo-o pela coragem de mexer na abelheira. Isto é muito necessário para que o tema seja debatido. Mexe com brios e isto pode, inclusive, fazer com que todos nós pensemos em alternativas outras que não limitar a ciclovia. Como reduzir o número de veículos nas ruas? Como fazer com que a gente use mais o ônibus? Como fazer com que a bicicleta não seja apenas uma companheira do fim de semana, mas sim do dia a dia? Sim, muitas perguntas. Respostas? Elas cabem a cada um de nós. É um problema de todos nós. O problema é que cada um de nós quer manter o seu direito de dirigir e estacionar e joga na conta do outro que mude sua cultura. Ou seja, "meus problemas é o que importam". Será que é isso mesmo? Os problemas do trânsito são de todos.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

FISIOTERAPIA TEM NOVO CÓDIGO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA


No dia do hoje, 23/05/2013, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), a Resolução COFFITO nº 424/2013, aprovada em reunião plenária do conselho realizada em 05 de maio, em Curitiba, e que trata do novo Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia. O texto está às páginas 142, 143 e 144 do DOU. Segundo consta no artigo 56, ele entra em vigor dentro de 60 dias. 

É um documento histórico, que substitui a Resolução COFFITO nº 10, de 1978 (há 35 anos, portanto). O novo texto pretendeu atualizar a deontologia profissional e, a partir disto, servir de parâmetro para a atuação ética na profissão. É um documento construído a muitas mãos, em um processo iniciado sob a gestão do presidente do COFFITO, Dr. Roberto Mattar Cepeda.

Desde o primeiro seminário, no final de 2009, até este mês de maio, uma série de discussões foram travadas. Assumi a presidência da Comissão Superior de Ética e Deontologia da Fisioterapia (CSEDF) no final de 2010. Na gestão 2008-2012, foram parceiros inomináveis o Dr. Adamar Nunes Coelho Junior (MG) e o Dr. Wilson Leitão (PB), então membros da CSEDF. 

As versões preliminares foram colocadas em consulta pública, passaram pela revisão de todos os CREFITOS e colheram a opinião de muitos colegas espalhados pelo Brasil. De alguma forma, quem quis participar pôde fazê-lo, ao longo do processo. 
Vale registrar ainda que neste mesmo dia a Terapia Ocupacional conquistou o seu Código de Ética e Deontologia, via Resolução COFFITO nº 425/2013. Este é um fato a ser notado: na Resolução de 1978 tínhamos apenas uma resolução que contemplava as duas profissões; hoje optamos por publicar duas resoluções, uma para cada profissão, considerando as especificidades de cada profissão e, com isto demarcando o protagonismo social de ambas as profissões.  

Obviamente que o texto haverá de suscitar dúvidas, gerar debates, eventualmente haverá críticas, o que é normal e esperado quanto à um documento que implica em questões fundamentais da vida profissional dos fisioterapeutas. Mas, de alguma forma, me sinto extremamente feliz neste momento, pois modestamente, com a ajuda de muitos, fizemos parte desta história forjada no dia a dia.
Parabéns a todos (as) que se envolveram e que possamos demarcar nossa conduta na ética pautada na vida. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quando os olhos veem o coração não ignora


Tem uma frase comum que se diz com certa frequência e que é assim: “o que os olhos não veem o coração não sente”. Pois, por muito tempo, na nossa sociedade, tudo que era tocante ao coração, que fazia sofrer de alguma forma, nós tratávamos de tirar do alcance dos olhos. Se lermos a Bíblia, na época de Cristo, isto ocorria com os leprosos, com os lunáticos, as prostitutas, entre outros. Desde aqueles tempos os diferentes eram subjugados a um segundo plano, não faziam parte da sociedade e, como tal, não podiam conviver livremente entre os “bons”.

Muitos séculos se passaram até termos a esperança de que alguma coisa mudasse, de fato. Na idade moderna continuamos a excluir os diferentes, os “anormais”, os loucos, os doentes, os marginais, enfim, todos aqueles que não compartilham do padrão de “cidadão ideal”. Surgiram os hospícios, os presídios, os hospitais, instituições totalitárias nas quais o interno não tem poder sobre si mesmo. E, neste contexto, muitos abusos foram cometidos, muitas crueldades, muita gente morreu ou foi excluída do convívio do mundo, para sempre.

É recente a luta por mudar esta crueldade, coisa de algumas poucas décadas. No caso do portador de sofrimento psíquico, do “louco”, não mais do que uns trinta anos. A Semana da Luta Antimanicomial, em andamento, é o período do ano em que marcamos esse momento, o fim da expansão dos manicômios/hospícios, nos quais sumiam as almas daqueles desafortunados que, por algum motivo, internavam neste lugar. Eletrochoques, camisas de força, excesso de medicamentos, violação de qualquer direito era a prática.

Nesta segunda-feira ocorreu um ato simbólico em Lajeado, no qual usuários dos CAPS, trabalhadores da saúde, estagiários da Univates, familiares, ocuparam por cerca de meia hora a nossa Rua Júlio de Castilhos. A intenção não é tumultuar o trânsito. Pelo contrário, os fiscais do trânsito fizeram um trabalho magnífico e nada de anormal aconteceu. O objetivo do ato foi colocar à frente dos olhos de todo mundo, para que o coração se mantenha saudável, se importe, não endureça na indiferença que ainda campeia por nossos tempos. Alcançamos os objetivos? Sim e não. São tempos de alegrias, pois muitos aplaudiram. Mas, é também um tempo triste, no qual muitos viram a cara, não se importam, excluem, subjugam, se aproveitam do outro. Mas, é tempo de esperanças também, visto que a arte da vida se faz na vida do portador de sofrimento psíquico e há muitos dispostos a ajudar nesta tarefa de cada dia.