terça-feira, 26 de abril de 2016

Breno

Qual a mágica de desempenhar o papel de pai? ‪#‎paidemenino‬. É algo indescritível, algo que supera a própria existência e, nesta 'vibe', nos faz rodopiar mundo afora. 

Hoje meu pai está de aniversário: 26 de abril. Lá se vão longos anos de muita luta de seu Breno, sempre amparado no braço forte da mãe Elvira. Com muita dedicação, sem pressão, com compreensão, souberam conduzir seus dois meninos, com sabedoria. 


Erraram, acertaram, mas sempre souberam, com maestria, olhar para aqueles inocentes de olhos brilhantes e curiosos. Segue a vida, filhos criados e crescidos, netos para alegrar e confortar. 

26 de abril é um dia especial para seu Breno, seu aniversário e também a data de seu casamento, há algumas décadas atrás. Um abraço público, hoje e sempre, no carinho do abraço de pai para filho.

domingo, 24 de abril de 2016

A banalização da opinião

Qual é a tua opinião sobre as novas tecnologias da reprodução humana? Para e pensa um pouco sobre isso e emite uma opinião com certa profundidade. Eu parei aqui e pensei sobre isso e me dou conta que não tenho opinião nenhuma. Para começar, precisamos pensar sobre duas coisas; de que tecnologias estamos falando e quais aspectos da reprodução humana a questão aborda?

Estas primeiras palavras são apenas para demostrar que somos instigados a dar nossa opinião sobre tudo a todo momento, cada vez mais, ao vivo e em redes sociais. Se não manifestamos nossa opinião, a favor ou contra uma concepção, nos tornamos sujeitos em cima do muro, sem opinião e, vez ou outra, somos taxados de alienados.

Na realidade, na minha opinião, banalizamos a opinião, nos colocando na obrigação de falar ou escrever sobre qualquer coisa sem antes refletir sobre aquilo, amparar nossas colocações e buscar a teoria por trás de nossa posição. O resultado, muitas vezes, é um desastre: sai qualquer coisa da boca, muita bobagem, muito senso comum, muita repetição de palavras que talvez não quiséssemos revelar se nos déssemos  o tempo de pensar um pouco. 

As redes sociais tem se prestado a este tiroteio opinativo. A qualquer momento é possível, na linha do tempo, ler pessoas opinando sobre temas sem se dar ao tempo de refletir sobre o post que gerou a necessidade de se manifestar. 


Mas, somos livres e temos todo o direito de opinar sobre tudo e sobre todos. O fato de escrever sobre algo não deixa de ser sinal de que o tema nos mobilizou, de alguma forma e com isso nos invocou a uma reflexão. Pronto, temos o impasse. Ao fim e ao cabo, se você leu até aqui, não precisa opinar sobre esta reflexão que no fundo não leva a lugar nenhum, salvo ter provocado uma reflexão sobre o status quo nas linhas do tempo do facebook. Boa semana a todos. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Incerta


E então, dentre nuvens pesadas que despejam lágrimas, numa primavera qualquer, vidas se entrecruzam no ir e vir, no movimento monótono da chuva leve.
Na alma em peso, o fardo duro de dias duros, no caminhar em direção incerta, rumo a sombra do por do Sol. E, assim, sobrevive...

Uma brisa no rosto


E aí você olha para o horizonte e percebe que aquele pôr do Sol que inebria a alma está lá
à espreita
e as coisas boas da vida, tão boas, te deixam mais leve
e te fazem vagar de um lugar a outro, sem rumo
em busca de algo mais, um sopro, um brilho, um grito
e ao inspirar profundamente
Você se dá conta de tudo, e a verdade aparece,
do sonho ao sono à vida
...
raios de luz, janela adentro, despertar

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MUDAR O CAPS ALCOOL E OUTRAS DROGAS DE LUGAR RESOLVERÁ O QUÊ, AFINAL?

Qual a sociedade ideal, nossa utopia? Famílias equilibradas, todos trabalhadores, sem violência alguma, sem droga, álcool, cigarro, corrupção. Todos puxando a corda para o mesmo lado, respeitando as diferenças e se esforçando para que elas diminuam. Que todas pessoas com deficiência tenham as mesmas condições de todos nós. Uma sociedade sem corrupção, agressões, assédios e afins. Se este é o “ideal”, havemos de convir que estamos longe disso.

Pois bem, não vivemos no mundo ideal. Temos inúmeras imperfeições dentro de todos os espaços, desde as famílias, ambientes de trabalho, instituições, na rua, nos espaços públicos. É repetitivo reafirmar tudo que vimos de ruim a nossa volta, nestes dias difíceis. É natural, portanto, que o cidadão comum queira se livrar de tudo que lhe choca, que causa desconforto em nossa sociedade.

Historicamente a humanidade faz isso, afinal: para o doente, ameaça de contágio, o hospital; para o delinquente, ameaça à segurança, o presídio; para o ‘louco’, pretensa ameaça, o hospício. Vigiar e punir a diferença, como pontua Foucault em sua obra. Tira-se da frente dos olhos tudo aquilo que parece ser uma ameaça. Daí que a pessoa em sofrimento psíquico, usuária de entorpecentes, por exemplo, nos deixa desconfortáveis. Afinal, escancaram nossa fragilidade, nossa incapacidade de sermos eternos “cidadãos perfeitos”, ou “do bem”, como pontuam alguns.

Enquanto sociedade melhoramos nas últimas décadas, reconhecendo e incluindo os “diferentes”. Surgiram APAE´s, CAPS, residenciais terapêuticas, entre outros espaços. Hospícios perderam espaço. Como nada na vida, não há consenso e, é de se entender que alguns continuam com a ideia de que a melhor medida é “sumir” com os usuários de drogas, por exemplo. É por aí que tento entender a reação contra o CAPS Álcool e outras drogas “Sim pra Vida”, localizado na rua Santos Filho, no centro de Lajeado.

O usuário de drogas presente nesta rua, ou na Júlio, no Parque dos Dick, na praça da Matriz ou outros pontos da cidade incomodam parte da sociedade por que isto escancara o fato que não estamos no mundo perfeito, que não somos todos iguais, somos portadores de doenças, de fraquezas, imperfeições. O caso escancara que dentro de nossas famílias, sejam pobres ou ricas, de qualquer etnia, temos pessoas doentes usuárias de drogas, sejam lícitas ou ilícitas e isto é uma coisa extremamente difícil de aceitar.

O movimento da saúde mental vem lutando pela inclusão do portador de sofrimento psíquico há muitos anos. Profissionais, pais, amigos, o doente, seguem numa jornada dura, buscando reconhecimento frente a intolerância. Transferir os problemas para longe dos olhos não resolve. Colocar o CAPS em algum lugar distante do centro não vai diminuir o número de usuários, não vai aliviar a consciência social e, ao fim e ao cabo, só reproduz táticas antigas que a maioria da sociedade condena. A solução? Aceitemos nossa condição de sociedade que precisa de mais tolerância, que deve reconhecer seus problemas e enfrenta-los, resgatando a humanidade em nossos atos.




terça-feira, 16 de junho de 2015

Múltiplas formas: poesia da esperança


Me deu agora uma vontade de reescrever a história,
E colocar o mundo sobre outros trilhos, mais humanos
Solidariedade guiando os rumos de todos nós, de todas as etnias
Sem geografias que afastam, sem o ir e vir frenético,
A busca indecente por renda, economia, coisas concretas e duras
E o sentimento de que talvez haja um vácuo nisso tudo, uma falta de razão
Sem saída, destino, capacidade de perceber o mundo de múltiplas formas
E se achegar ombro a ombro num ato de fé na humanidade,
De acreditar nos olhos inocentes
Ou nem tanto
Mas acima de tudo acreditar que é possível
Um outro mundo é possível.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O Papel Social do Fisioterapeuta

(texto originalmente publicado em 12/10/2003 no jornal O Informativo do Vale... direto do túnel do tempo)

O Brasil, e o mundo, precisam trazer para condições de vida satisfatórias um grande contingente de pessoas. Não cabe listar tudo que ainda aflige a humanidade. No entanto, permitam que lembre que ainda vivemos uma grande ‘guerra’. Em alguns lugares a guerra é real, batalhas e mortes. Noutros, a guerra é contra a fome, as doenças, a pobreza, a miséria, a corrupção. Neste contexto, todos seres humanos conscientes da dificuldade que passamos precisam dar sua parcela de contribuição. Devemos, de uma forma ou outra, trazer um pouco mais de paz ao mundo. E é aí que cada um de nós pode fazer sua parte, cada um conforme a sua capacidade.

Na área da saúde, onde existe mais de uma dezena de profissões legalmente regulamentadas, milito na Fisioterapia, já há quase dez anos após a formatura. Somos mais de 45 mil em todo Brasil. Dia 13 de outubro é o Dia do Fisioterapeuta, aniversário da lei que regulamentou a profissão, em 1969. A Fisioterapia surgiu exatamente em função da guerra e, ao longo do tempo, especializou-se em trabalhar na reabilitação do número enorme de pessoas mutiladas pela estupidez da violência. 

Hoje, o Fisioterapeuta ampliou muito seu leque de trabalho, estando engajado na integralidade da atenção à saúde, desde a promoção e prevenção, a assistência, a reabilitação, a pesquisa, a educação em saúde e a gestão. Participamos ativamente do sistema e buscamos ainda a melhor forma de interferir positivamente. É certo que nossa ação, como profissão, ainda é tímida na participação e controle social, visto que ainda não são todos os que participam dos fóruns de decisão, como os conselhos e conferências de saúde.

De qualquer forma, tal qual as outras profissões de saúde, os Fisioterapeutas tem o poder do seu conhecimento específico e a oportunidade de contribuir nas mudanças necessárias. Treze de outubro, o Dia do Fisioterapeuta, é uma data significativa para nossa profissão. Lembrar-se das dificuldades iniciais, das conquistas e derrotas, dos avanços é uma forma de avançarmos todos como sociedade.